
Eis que grita, dilacerado,a mente de um escritor
Tão pouco delicado,em meio a outros versos que balança
Ai que saudade de quando era criança,e não falava de amor
Está entregue a dor aquele que não se entrega a uma mudança
Pobre de mim,vivo e apaixonado
Que sem dizer já foi julgado,por uma paixão rica e soberana
Coração entregue e ferido graças a um sentimento acreditado
Jamais recuperado por qualquer outro namorado e sua gana
Pobre de rima,tão silênciosa ouves calada sofrimento em amiúde
Enquanto sente saudade daquela amorosa risada eloquente
Sonha em ser plural enquanto só,é dependente da sua propria saúde
Talvez eu tenha amado mais do que pude a quem sempre acreditei ser diferente
Eis-me aqui outra vez,um condenado sonhador
A enxergar uma triste realidade refletida nos olhos de uma criança
Que só lembra da paz quando se lembra das suas antigas lembranças
Já esquecidas nos braços da esperança de ter consigo o seu único amor
Doce engano de quem pensar que o poeta é feliz
Tento sem sucesso viver do meu próprio excesso de proteger
Sofre mais aquele que sente e em meio aos versos não diz
Tudo aquilo que um dia eu quis foi nunca parar de escrever
Eu tenho o poder de escrever minhas próprias estórias
Que escondem um doce prazer no amargo dos meus dias
Vivo cheio de calma enquanto vou atrás das minhas vitórias
Cabe somente a mim guiar-me nessa trajétoria,de viver o desejo de fazer poesias
" Já tive momentos em que senti saudade de mim, esse é um deles, por isso volto a escrever.Eu acordei sentindo falta da paz que só a poesia é capaz de me trazer.Não,eu não queria escrever,mas as palavras me tomam de súbito num desejo tão forte e constante de jorrar sentimentos,as vezes em forma de versos,outras em forma de desabafo, que hoje eu me entrego a essa vontade."
Dotti Gioia Busch Jr
































